Possivelmente, nem a mente mais imaginativa conseguiria vislumbrar o que é que o futebol poderá ter em comum com o placement que existe na grande maioria das empresas, mas proponho que me acompanhem neste exercício de raciocínio e talvez cheguemos lá.
O placement não é mais do que a aquisição, por parte de uma organização, de conhecimento externo à própria, sem necessidade de contratação directa não aumentando assim o seu quadro de pessoal. O placement tem várias vantagens e desvantagens, mas esta última é, sem sombra de dúvida a maior vantagem: não aumentar o número de trabalhadores do quadro. Muitas teorias e ideias há sobre este assunto, mas parece-me óbvio que esta é uma vantagem indiscutível do Placement. Contudo nos últimos tempos tem-se assistido, com certa frequência, a uma certa adulteração deste conceito, na medida em que muitos trabalhadores colocados em clientes através de placement, recebem da parte destes, mais tarde ou mais cedo, propostas para integrar os seus quadros.
Estes casos, no qual eu próprio me incluo, deixam de ser placement, para passar a ser uma espécie de ALD de conhecimento. Uma empresa quer um trabalhador mas em lugar de se colocar no mercado e procurá-lo, contrata um recurso em regime de placement, fica com ele os meses necessários para avaliar e perceber a sua capacidade e a mais valia que poderá trazer à empresa e se essa avaliação for positiva faz-lhe uma proposta para integrar os seus quadros. Este processo poder-se-á repetir tantas vezes quantas as necessárias até a empresa considerar que tem ali “o” homem que procurava! É uma espécie de “compre que se não gostar devolvemos-lhe um novo”.
Este tipo de comportamento pode levantar algumas questões de carácter ético, mas apenas naqueles casos em que todas as 3 partes envolvidas (quem vende o serviço, trabalhador, quem compra o serviço) não saibam o mesmo. Refiro-me a casos em que a empresa que contrata um recurso em regime de placement não refere às outras partes que na realidade o objectivo é contratar um recurso com a possibilidade de o poder experimentar primeiro. E mesmo nestas situações a questão ética é discutível. É evidente que é preferível que todas as partes “abram o jogo” logo de início, mas o mercado é aberto, ninguém obriga ninguém a fazer nada e, o mais importante, a palavra final será sempre do trabalhador., pelo que estes “aliciamentos” podem surgir de qualquer lado.
Mas onde é que o futebol entra no meio disto tudo?
Quando era mais novo e ia “à bola” com o meu pai, naquela altura em que ainda se podia levar uma garrafa de água para o futebol sem que fosse considerado um objecto perigoso, raramente se ouvia falar em jogadores emprestados. Os clubes designados de mais pequenos por vezes tinham um ou outro jogador emprestado, mas os clubes grandes nunca tinham nenhum jogador emprestado, quanto muito emprestavam-nos. Tudo o que queriam, tinham de comprar. Hoje em dia não é tanto assim. Há clubes onde metade dos titulares são emprestados e até os clubes com mais poderio financeiro têm bastantes jogadores emprestados. Há mesmo clubes que fazem do empréstimo a política de contratações, preferindo contratar primeiro um jogador em regime de empréstimo e só depois contratá-lo definitivamente, se for esse o caso. Estes negócios não deixam de figurar uma forma de placement. Primeiro testa-se, depois compra-se ! A diferença entre o mercado do futebol e o dos negócios em geral, é que no futebol não se coloca a questão ética que referi. No futebol, este tipo de situações são totalmente transparentes para todas as partes. Porque não pode uma empresa utilizar este mesmo mecanismo para formar o seu quadro de funcionários? Uma coisa é certa, este tipo de situações fazem a separação entre o bom e o menos bom. Assim como um clube de futebol pode não querer contratar um jogador depois de o ter tido em regime de empréstimo por não ter ficado satisfeito com o seu rendimento, também as empresas deveriam ter possibilidade de fazer esta escolha. Através do placement podem fazê-lo!
Quando era mais novo e ia “à bola” com o meu pai, naquela altura em que ainda se podia levar uma garrafa de água para o futebol sem que fosse considerado um objecto perigoso, raramente se ouvia falar em jogadores emprestados. Os clubes designados de mais pequenos por vezes tinham um ou outro jogador emprestado, mas os clubes grandes nunca tinham nenhum jogador emprestado, quanto muito emprestavam-nos. Tudo o que queriam, tinham de comprar. Hoje em dia não é tanto assim. Há clubes onde metade dos titulares são emprestados e até os clubes com mais poderio financeiro têm bastantes jogadores emprestados. Há mesmo clubes que fazem do empréstimo a política de contratações, preferindo contratar primeiro um jogador em regime de empréstimo e só depois contratá-lo definitivamente, se for esse o caso. Estes negócios não deixam de figurar uma forma de placement. Primeiro testa-se, depois compra-se ! A diferença entre o mercado do futebol e o dos negócios em geral, é que no futebol não se coloca a questão ética que referi. No futebol, este tipo de situações são totalmente transparentes para todas as partes. Porque não pode uma empresa utilizar este mesmo mecanismo para formar o seu quadro de funcionários? Uma coisa é certa, este tipo de situações fazem a separação entre o bom e o menos bom. Assim como um clube de futebol pode não querer contratar um jogador depois de o ter tido em regime de empréstimo por não ter ficado satisfeito com o seu rendimento, também as empresas deveriam ter possibilidade de fazer esta escolha. Através do placement podem fazê-lo!
1 comentário:
Gostei do Texto, está bem escrito e também achei o assunto interessante,parabéns!
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